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Brilhetes de Anchieta: Mulheres Bate-Bolas Conquistam As Ruas do Carnaval Carioca

Dinael Monteiro
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© Tânia Rêgo/Agência Brasil

Faltando poucos dias para a grande revelação, a expectativa cresce em torno do grupo Brilhetes de Anchieta. Composto por 38 meninas e mulheres, a turma de bate-bolas promete deslumbrar o público nesta sexta-feira (13), ao apresentar os detalhes da indumentária elaborada com a máxima discrição ao longo de seis meses. A saída deste grupo feminino representa um marco na tradição carnavalesca do Rio de Janeiro, reinventando a cultura dos bate-bolas com um toque de empoderamento e comunidade.

A Tradição dos Bate-Bolas e a Inovação Feminina

Os bate-bolas são uma expressão artística icônica do carnaval carioca, especialmente nos subúrbios. Caracterizados por fantasias temáticas ricas em cores e máscaras que cobrem o rosto, eles desfilam com sua inconfundível bola de borracha amarrada a um bastão. Embora o som das bolas no chão permaneça o mesmo, a imagem desses mascarados evoluiu: de figuras que antigamente assustavam crianças para um dos principais símbolos de alegria e criatividade do carnaval. As Brilhetes de Anchieta, ao se prepararem para seu 13º desfile, prometem uma explosão de cores e sons, com a abertura do portão de sua garagem ao ritmo de fogos e muito funk, celebrando mais um ano de ocupação feminina das ruas.

Mais Que um Grupo de Carnaval: Laços e Empoderamento

O Brilhetes de Anchieta transcende a simples celebração carnavalesca, funcionando como uma verdadeira rede de apoio e empoderamento. A produtora cultural Vanessa Amorim fundou o grupo em 2013, após anos de observação e participação na Turma do Brilho, liderada por seu sogro e, posteriormente, por seu marido. Vanessa notou que, tradicionalmente, as mulheres ficavam em papéis de suporte, auxiliando, mas não como protagonistas da brincadeira. Seu objetivo foi criar um espaço onde mulheres de diversas idades – desde crianças de 3 anos até senhoras de 58 – e ocupações, como professoras, bombeiras e pesquisadoras, pudessem ser as "brincantes".

Essa iniciativa transformou o grupo em uma "segunda família" para muitas de suas integrantes. Alexandra Cunha, de 44 anos, mãe de três filhos, expressa a profunda emoção que envolve todo o processo, desde a criação artesanal das fantasias – gliterar, pregar lacres, montar o buá – até o choro de alegria no dia da saída. A emoção é compartilhada por novatas, como a estudante Ana Júlia Guimarães, de 17 anos, que desfilará pela primeira vez com a mãe. Ela, que antes temia os bate-bolas, agora se dedica com prazer à montagem das roupas no barracão, valorizando a experiência coletiva. Para garantir o espetáculo, o grupo também organiza a contratação de equipes de som e a operação de um bar, buscando cobrir os custos envolvidos. Além de Anchieta, as Brilhetes estendem sua presença a bloquinhos no centro e zona sul do Rio, e prestigiam outros grupos, reforçando a camaradagem carnavalesca.

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Homenagens Marcantes: Celebrando Vozes Femininas Negras

As Brilhetes de Anchieta não apenas desfilam; elas também utilizam suas fantasias como plataforma para homenagens significativas. Em 2026, o grupo presta um tributo à escritora mineira Conceição Evaristo, que completa 80 anos em novembro. A escolha da autora, cujas frases inspiram muitas das mulheres do grupo – em sua maioria negras –, reflete o compromisso com a valorização de personalidades que representam força e resiliência. A icônica frase “eles combinaram de nos matar, mas a gente combinamos de não morrer” estampa o kit do grupo, composto por blusa, short e meia usados sob a fantasia ou em eventos paralelos.

Vanessa Amorim destaca a importância de celebrar Conceição Evaristo em vida, reconhecendo sua trajetória como uma artista que, apesar de escrever há décadas, só recentemente ganhou o devido reconhecimento. Ela ressalta a relevância da história de Evaristo como professora aposentada e mulher negra que ascendeu de uma comunidade para o cenário cultural do Rio. Essa reverência a Evaristo segue um padrão de temas com mensagens poderosas: em 2025, o grupo homenageou Marilyn Monroe, focando na artista talentosa para além da exploração de seu símbolo sexual, e em anos anteriores, abordaram a Mãe Natureza, demonstrando uma constante preocupação com narrativas profundas e relevantes.

O Esplendor das Fantasias e o Futuro Vibrante

A dedicação das Brilhetes de Anchieta à qualidade e originalidade de suas fantasias é evidente. A cada ano, o grupo investe em novos recursos e técnicas para aprimorar seus trajes, incorporando elementos como luzes de LED e pinturas especiais que garantem um brilho único. Para o desfile de 2026, Vanessa Amorim adiantou que as máscaras cobrirão totalmente o rosto das integrantes, adicionando um elemento de mistério e aprimorando a identidade visual da turma. Esse empenho na criação de indumentárias elaboradas é parte fundamental da experiência, onde cada detalhe é pensado para encantar e celebrar a arte do carnaval.

O futuro do Brilhetes de Anchieta se desenha tão vibrante quanto suas fantasias. Ao ressignificar a tradição dos bate-bolas, o grupo não apenas proporciona um espetáculo visual, mas também fortalece laços, celebra a identidade feminina e inspira novas gerações a ocuparem seu espaço no carnaval e na sociedade. Sua jornada é um testemunho da força da comunidade e da criatividade das mulheres cariocas, garantindo que o legado dos bate-bolas continue a evoluir e brilhar nas ruas do Rio.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

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