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Lula Propõe Governança Multilateral da IA e Fortalecimento do BRICS em Missão na Índia

Dinael Monteiro
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© Ricardo StuckertPR

Durante sua visita oficial à Índia, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva delineou uma visão abrangente para a governança global, destacando a necessidade urgente de regulamentação da Inteligência Artificial (IA) por uma entidade multilateral. Em entrevista concedida ao programa India Today nesta sexta-feira (20), o líder brasileiro reforçou sua defesa por um controle que beneficie a sociedade como um todo, em contraste com interesses privados. Além da IA, Lula abordou temas cruciais como o futuro do bloco BRICS, a proposta de desdolarização do comércio internacional e as relações com os Estados Unidos, sublinhando o papel do Brasil na construção de uma ordem mundial mais equitativa e multipolar.

Inteligência Artificial: A Urgência da Regulamentação Multilateral

A preocupação central de Lula sobre a Inteligência Artificial reside na garantia de seu uso benéfico para a humanidade, distanciando-a de potenciais abusos e lucros concentrados. Ele defendeu uma regulação rigorosa, conduzida por uma instituição multilateral com a estatura das Nações Unidas, enfatizando a proteção de grupos vulneráveis como crianças, adolescentes e mulheres. O presidente brasileiro alertou para os riscos de danos à vida íntima e de incitação à violência caso a IA permaneça sem controle, resistindo à visão de 'dois ou três proprietários de grandes plataformas' que rejeitam qualquer tipo de regulamentação. Para Lula, a ausência de controle não seria positiva para a humanidade, mesmo que lucrativa para poucos, e a sociedade deve assumir a condução dessa tecnologia extraordinária.

Em sua argumentação, o presidente ressaltou o potencial transformador da IA para elevar padrões de vida, especialmente em setores como saúde e educação. A tecnologia, segundo ele, deve ser um motor para o crescimento dos países, a melhoria de serviços públicos e privados, e, fundamentalmente, aprimorar as condições de trabalho para todos. Essa perspectiva sublinha a crença de que a IA só cumprirá seu propósito positivo se estiver genuinamente a serviço da sociedade civil, e não como uma ferramenta de dominação ou exploração.

O BRICS como Voz do Sul Global e Modelo Inovador

Lula reiterou a importância do bloco BRICS, classificando-o como uma das formações mais significativas das últimas três décadas. Ele posicionou o BRICS como um representante vital do 'Sul Global', contrastando-o com outros agrupamentos como o G7, focado nos interesses dos países mais ricos, e o G20, que emergiu da crise financeira de 2008. O presidente destacou o peso demográfico do bloco, que, com a inclusão de Índia e China, já abrange metade da população mundial, um número que cresce ainda mais com a Indonésia.

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A 'nova abordagem institucional' do BRICS foi apontada como um diferencial crucial, permitindo que o bloco inove e se adapte às necessidades do século XXI, em vez de replicar modelos do século XX, como os observados no FMI ou no Banco Mundial. Lula expressou sua esperança de que o BRICS continue a se fortalecer e a tomar decisões que promovam os interesses de seus membros. O bloco, que começou com Brasil, Rússia, Índia e China em 2009, expandiu-se com a adesão da África do Sul em 2011 e, mais recentemente, em 2024, incorporou Arábia Saudita, Egito, Emirados Árabes Unidos, Etiópia, Indonésia e Irã, ampliando sua representatividade global.

Desdolarização do Comércio: Autonomia e Pragmatismo Econômico

A busca por alternativas ao dólar estadunidense nas transações comerciais foi outro ponto de destaque da entrevista. Lula defendeu a soberania de cada país para decidir a moeda de suas relações comerciais, propondo que acordos bilaterais, como entre Brasil e Índia, possam ser realizados em moedas locais. Embora reconheça a complexidade dessa transição, o presidente enfatizou que não há uma necessidade imperativa de depender exclusivamente do dólar. Ele lembrou a experiência de seu primeiro mandato, quando o Brasil e a Argentina implementaram a compra e venda de pequenas empresas utilizando suas respectivas moedas, o Real e o Peso.

Essa iniciativa de desdolarização é vista por Lula como um processo gradual, que deve ser discutido levando em consideração as particularidades e vantagens para cada nação envolvida. A meta é construir um sistema comercial mais flexível e resiliente, que reflita a multipolaridade econômica e ofereça maior autonomia aos países do Sul Global.

Diálogo com os Estados Unidos e Parcerias Estratégicas

Sobre as relações com os Estados Unidos, Lula reiterou que mantém um bom relacionamento com o presidente do país, Donald Trump, expressando sua disposição para dialogar sobre questões de interesse mútuo. Entre os tópicos que merecem conversas, o presidente brasileiro mencionou parcerias estratégicas voltadas à exploração de minerais críticos presentes em território brasileiro. Embora a declaração original termine abruptamente ao se referir a uma percepção pessoal do presidente estadunidense, a menção sublinha a abertura ao diálogo e à cooperação em áreas de relevância econômica e geopolítica para ambos os países.

As declarações do presidente Lula na Índia consolidam uma agenda externa focada na construção de um sistema internacional mais equilibrado e justo. Desde a regulamentação da Inteligência Artificial para proteger a sociedade e promover o desenvolvimento, até o fortalecimento do BRICS como um bloco que representa aspirações do Sul Global e a busca por maior autonomia econômica através da desdolarização, sua fala desenha um cenário onde o Brasil se posiciona como um ator relevante na redefinição das dinâmicas globais. A defesa do multilateralismo e da cooperação entre nações emerge como o fio condutor de sua visão para enfrentar os desafios do século XXI.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

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