O Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M), amplamente conhecido como a “inflação do aluguel”, registrou uma alta de 0,52% em março. Este resultado representa uma desaceleração em relação ao patamar de 0,73% observado em fevereiro, refletindo a pressão conjunta de produtos agropecuários e derivados do petróleo no cenário econômico nacional.
Detalhando a Desaceleração e o Acumulado Anual
Os dados, divulgados pelo Instituto Brasileiro de Economia (Ibre) da Fundação Getulio Vargas (FGV), mostram que, apesar do aumento mensal em março, o IGP-M acumulou uma deflação de 1,83% nos últimos 12 meses. Essa média negativa indica que, ao longo do último ano, os preços medidos pelo índice recuaram de forma geral. Historicamente, o indicador apresentou uma alternância de resultados positivos e negativos no período, com março de 2023 registrando, por exemplo, -0,34%.
Os Motores da Pressão Inflacionária
A composição do IGP-M é dividida em três pilares. O de maior peso, responsável por 60% do índice, é o Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA), que mede a variação de preços no atacado. Em março, o IPA apresentou uma alta de 0,61%, com as principais contribuições para esse movimento vindas do setor agropecuário. Produtos como bovinos, ovos, leite, feijão e milho registraram aumentos significativos, impactando os custos de produção.
Ovos, por exemplo, subiram expressivos 16,95% em março, após um aumento de 14,16% em fevereiro. O feijão também teve uma elevação notável de 20,91% no mês, complementando a alta de 13,77% do mês anterior. Essa persistência nos aumentos dos alimentos de primeira necessidade indica uma pressão contínua sobre a cadeia produtiva.
Impacto Geopolítico e a Volatilidade do Petróleo
Além do setor de alimentos, o cenário externo exerceu influência direta sobre o IGP-M. O agravamento das tensões geopolíticas no Oriente Médio, que incluem ataques dos Estados Unidos e de Israel ao Irã e impactam regiões produtoras e rotas estratégicas como o Estreito de Ormuz, desencadeou uma escalada nos preços dos derivados de petróleo no mercado global. O subgrupo de produtos derivados do petróleo, que havia registrado deflação de 4,63% em fevereiro, reverteu a tendência e subiu 1,16% em março, sinalizando uma mudança de trajetória. No entanto, em um recorte de 12 meses, este mesmo subgrupo ainda apresenta um patamar consideravelmente baixo, com -14,13%.
Outros Componentes do Índice: Consumo e Construção
Outro componente relevante do IGP-M é o Índice de Preços ao Consumidor (IPC), que corresponde a 30% do indicador e reflete a variação de preços sentida pelas famílias. Em março, o IPC subiu 0,30%, com a gasolina sendo o item que mais pressionou os custos na cesta de consumo, registrando uma expansão de 1,12% no mês.
Por fim, o Índice Nacional de Custo da Construção (INCC), que representa 10% do IGP-M, também registrou alta. Este componente, que acompanha a evolução dos custos do setor de construção civil, avançou 0,36% em março.
O Que o IGP-M Significa para o Aluguel e o Consumidor
A denominação “inflação do aluguel” para o IGP-M deve-se ao fato de seu acumulado em 12 meses ser frequentemente utilizado como base para o reajuste anual de contratos imobiliários. Além disso, o índice serve para reajustar diversas tarifas públicas e serviços essenciais. Contudo, a deflação acumulada de 1,83% em 12 meses não garante automaticamente uma redução nos valores dos aluguéis. Muitos contratos incluem cláusulas que estipulam o “reajuste conforme variação positiva do IGP-M”, o que, na prática, impede a aplicação de reajustes negativos, mantendo o valor do aluguel inalterado ou aplicando outro índice.
A coleta de preços para a formação do IGP-M abrange cidades estratégicas como Belo Horizonte, Brasília, Porto Alegre, Recife, Rio de Janeiro, São Paulo e Salvador, sendo realizada entre os dias 21 de fevereiro e 20 de março para o cálculo do índice de março. A dinâmica do IGP-M continua a ser um termômetro importante para a economia, refletindo as pressões tanto do setor produtivo quanto do consumo, com implicações diretas para o poder de compra e o custo de vida dos brasileiros.


