Ad imageAd image

Embaixador Iraniano no Brasil: Negociações com EUA São uma ‘Piada Mundial’ e Povo Pressiona Governo a Não Ceder

Dinael Monteiro
Divulgação: Este site pode conter links de afiliados, o que significa que posso ganhar uma comissão se você clicar no link e efetuar uma compra. Recomendo apenas produtos ou serviços que uso pessoalmente e acredito que agregarão valor aos meus leitores. Agradecemos seu apoio!
© Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil

Em meio a um cenário de escalada de tensões, o embaixador do Irã no Brasil, Abdollah Nekounam Ghadiri, emitiu fortes declarações em entrevista exclusiva à Agência Brasil, classificando as promessas de negociação dos Estados Unidos como uma "ilusão" que se transformou em "piada mundial". Ghadiri ressaltou que a população iraniana tem ido às ruas, exercendo pressão significativa sobre o governo para que não se deixe iludir ou aceite as propostas americanas, vistas como vazias e contraditórias.

A Futilidade de um Diálogo Unilateral

O diplomata iraniano criticou a postura do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmando que ele dialoga "consigo mesmo" ao sugerir negociações com um suposto "novo regime" no Irã. Essa retórica de diálogo é frequentemente acompanhada por ameaças de ataques a infraestruturas energéticas e de petróleo iranianas, caso Teerã não reabra o vital Estreito de Ormuz. Para Ghadiri, essa ambivalência entre o convite ao diálogo e a ameaça de agressão expõe a falta de sinceridade nas intenções norte-americanas, tornando a ideia de negociação uma farsa.

Rejeição a um Padrão de Conflito Recorrente

Abdollah Ghadiri descreveu um padrão cíclico de "guerra, cessar-fogo, negociação e novamente guerra" que, em sua visão, é orquestrado pela "outra parte". Ele citou dois exemplos que corroboram essa percepção: um ataque ocorrido em junho de 2025, durante negociações com os EUA, que resultou em uma "guerra de 12 dias", e um incidente mais recente, onde o Irã foi atacado dois dias antes de iniciar conversações detalhadas mediadas por Omã. O embaixador afirmou categoricamente que o Irã não aceitará essa lógica perniciosa e está determinado a responder a qualquer "agressão criminosa" para garantir que tais ações não se repitam. A opinião pública iraniana, segundo ele, é uma força motriz por trás dessa determinação, instando o governo a não se deixar enganar por tais estratégias.

Dinâmicas de Poder no Irã e o 'Eixo da Resistência'

No que tange à política interna iraniana e suas relações regionais, o embaixador abordou a complexa estrutura de poder do país, mencionando a proeminência de Seyyed Mojtaba Khamenei no topo da hierarquia, que, além do Executivo, Parlamento e Judiciário, inclui o Conselho dos Guardiões, composto por seis indicados do Aiatolá e seis indicados pelo Parlamento. Ghadiri também questionou a designação de grupos como o Hezbollah no Líbano e os Houthis no Iêmen como "proxies" do Irã, um termo utilizado para descrever grupos que supostamente agem em nome de um Estado. O diplomata insinuou que tais grupos possuem suas próprias motivações e agendas, independentes de Teerã.

- Anúncio -
Ad image

A Natureza Calculada das Respostas Iranianas e a Guerra da Informação

Ao discutir a extensão e o impacto dos ataques iranianos contra Israel, Ghadiri garantiu que o "regime sionista" sofreu "danos significativos". Ele enfatizou que as ações militares do Irã são "calculadas" e aderem estritamente aos seus "padrões de caráter e religiosos". Como exemplo da contenção iraniana, o embaixador rememorou a guerra Irã-Iraque, onde, apesar de ser atacado com armas químicas fornecidas por empresas alemãs a Saddam Hussein, o Irã se recusou a retaliar com meios semelhantes, priorizando a proteção da população civil e do meio ambiente. Essa adesão a "princípios humanos e religiosos", segundo Ghadiri, faz com que os inimigos do Irã sejam "muito sortudos" por suas respostas controladas, ainda que "poderosas". Ele ainda acusou esses adversários de "censurar as informações" para ocultar a verdadeira dimensão dos danos sofridos.

Universidades como Alvos: Uma Agressão à Tradição e Cultura

Um ponto de particular repulsa para o Irã são os ataques, atribuídos aos EUA e a Israel, contra universidades iranianas, sob a alegação de que seriam utilizadas para fins de defesa. O embaixador Ghadiri fez questão de destacar a profunda tradição acadêmica iraniana, citando a Universidade Jodhichapur, considerada a primeira do mundo a se aproximar do formato universitário moderno, estabelecida há aproximadamente 1.800 a 2.000 anos. Esses ataques não são vistos apenas como uma agressão física, mas também como um desrespeito à rica história e ao legado cultural e científico do Irã.

Conclusão: Distanciamento Diplomático e Resposta Assertiva

As declarações do embaixador Abdollah Nekounam Ghadiri delineiam um panorama de profunda desconfiança do Irã em relação às iniciativas diplomáticas dos Estados Unidos. A percepção de um ciclo de agressão e propostas enganosas cimenta a determinação iraniana em não ceder à pressão externa, ecoando o clamor de sua população. A estratégia de Teerã, como articulada pelo embaixador, foca em respostas "controladas, mas poderosas", pautadas por princípios éticos e religiosos, enquanto denuncia a manipulação da narrativa por seus adversários, reafirmando sua soberania em um cenário geopolítico volátil e desafiador.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

Compartilhar este arquivo
Nenhum comentário

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *