A delegação brasileira de canoagem e paracanoagem demonstrou sua força global na etapa de Brandemburgo, na Alemanha, da Copa do Mundo da modalidade. O país celebrou não apenas a conquista de duas medalhas de ouro, mas também um impressionante total de seis pódios, reafirmando a excelência dos atletas nacionais tanto em provas de canoa individual quanto nas categorias dedicadas a paratletas. O desempenho robusto, marcado por revanches e histórias de superação, projeta o Brasil como uma potência no cenário internacional do esporte.
Isaquias Queiroz Lidera a Canoagem Velocidade com Ouro e Dobradinha Histórica
No sábado (16), o canoísta baiano Isaquias Queiroz, detentor de cinco medalhas olímpicas, incluindo um ouro, dominou a prova de C1 (canoa individual) 500 metros. Com uma performance impecável, o atleta de 32 anos cruzou a linha de chegada em 1min52s55, apenas 10 centésimos à frente do chinês Ji Bowen. Este resultado teve um sabor especial para Isaquias, pois representou uma revanche sobre o mesmo adversário que o havia superado na etapa anterior, em Szeged, na Hungria, na semana anterior.
Ainda na mesma disputa de C1 500m, o pódio contou com uma notável dobradinha brasileira, com o jovem Gabriel Assunção, revelação de apenas 20 anos e também da Bahia, garantindo a medalha de bronze. Com o tempo de 1min54s60, Assunção demonstrou seu grande potencial e assegurou seu lugar entre os melhores, indicando um futuro promissor para a canoagem brasileira.
Fernando Rufino, o 'Cowboy de Aço', Brilha na Paracanoagem
Na paracanoagem, a inspiração e a garra do sul-mato-grossense Fernando Rufino foram recompensadas com uma medalha de ouro na categoria VL2 (canoa para atletas que utilizam braços e troncos para remar) 200 metros. Conhecido como o 'Cowboy de Aço', Rufino completou a prova em 53s44, estabelecendo uma vantagem de mais de um segundo sobre o ucraniano Andrii Kryvchun, que ficou com a prata. O britânico Edward Clifton completou o pódio com o bronze.
Rufino, que celebra 41 anos em breve e é bicampeão paralímpico, é um exemplo de superação. Sua jornada no esporte começou após perder parte dos movimentos das pernas em um acidente de ônibus, transformando a canoagem em um caminho para novas conquistas e para inspirar muitos com sua resiliência e determinação.
Outros Destaques Brasileiros Conquistam Prata e Bronze
A performance brasileira em Brandemburgo se estendeu com mais duas medalhas na paracanoagem. Luis Carlos Cardoso, natural do Piauí, conquistou a prata nos 200 metros da classe KL1 (caiaque para atletas com deficiências severas nas pernas e no quadril). Ex-dançarino, cuja vida mudou após uma infecção na medula que o tornou cadeirante, Cardoso marcou 49s85, ficando atrás apenas do húngaro Peter Kiss, pentacampeão mundial e bicampeão paralímpico. O brasileiro já havia brilhado com medalhas de prata nas Paralimpíadas de Tóquio e Paris.
Completando o quadro de medalhas, o paranaense Giovane Vieira de Paula garantiu o bronze nos 200 metros da classe VL3 (canoa para atletas com grau moderado de comprometimento no tronco e nas pernas). Giovane finalizou a prova em 49 segundos, a uma pequena margem de 15 centésimos do ouro, conquistado pelo ucraniano Vladyslav Yepifanov. Ele, que teve a perna esquerda amputada após um acidente de trem, também é prata nos Jogos de Paris e reafirma sua posição entre os melhores.
Finais Promissoras Aguardam o Brasil no Último Dia de Competição
O domingo (17) promete mais emoções com a presença brasileira em três finais da paracanoagem. A sul-mato-grossense Débora Benevides disputará medalhas nos 200 metros da classe VL2, com largada prevista para as 10h23 (horário de Brasília). Em seguida, às 10h29, Fernando Rufino buscará mais um pódio, desta vez no caiaque (KL2) 200 metros, em prova que também contará com a participação do paranaense Flavio Reitz.
A série de finais para o Brasil se encerra às 10h41, quando o paranaense Miqueias Rodrigues e o baiano Gabriel Porto competirão nos 200 metros da classe KL3 (caiaque para atletas com deficiência moderada de membros inferiores), elevando as expectativas para mais conquistas da equipe nacional no encerramento da Copa do Mundo.
O excelente desempenho da equipe brasileira em Brandemburgo, com múltiplos pódios e a confirmação de nomes consagrados ao lado de novas revelações, demonstra a profundidade e a qualidade do esporte no país. Essas conquistas não só reforçam a posição do Brasil no cenário mundial da canoagem e paracanoagem, mas também acendem a chama da esperança para futuras competições, incluindo os próximos desafios olímpicos e paralímpicos.


