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Cuba Enfrenta a ‘Pior Crise da História Recente’ em Meio a Sanções e Apagões

Dinael Monteiro
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© Arquivo pessoal/Divulgação

Moradores da capital cubana, Havana, descrevem o cenário atual como o "pior momento que já vivemos", uma realidade marcada por profundas dificuldades que se intensificaram após o endurecimento do bloqueio energético imposto pelos Estados Unidos a partir do final de janeiro deste ano. A população enfrenta uma drástica deterioração nas condições de vida, com a escassez de recursos básicos e a paralisação de serviços essenciais.

O cotidiano dos cubanos é agora definido pelo aumento sem precedentes dos apagões, pela escalada incessante dos preços de produtos essenciais, pela severa redução do transporte público e pela diminuição da oferta da cesta básica alimentar, historicamente subsidiada pelo Estado. Essa complexa teia de problemas tem levado a nação caribenha a um ponto crítico, conforme relatos de cidadãos como a arquiteta Ivón B. Rivas Martinez, de 40 anos.

O Impacto Devastador dos Apagões no Cotidiano

Ivón Rivas, mãe solo de um filho de 9 anos, descreve a transformação radical na rotina dos moradores de Havana. Se antes os cortes de energia eram programados e limitados a cerca de quatro a cinco horas diárias, a crise atual os tornou imprevisíveis e de longa duração. "Ninguém sabe quantas horas podem ser. Hoje houve 12 horas de apagão", relata, ilustrando a completa falta de previsibilidade que agora assola a vida na capital.

A gravidade da situação se agrava nas províncias do interior da ilha, onde os apagões podem estender-se por quase o dia inteiro, forçando as famílias a adotar estratégias de sobrevivência extremas. A falta de eletricidade compromete a conservação de alimentos, exigindo que as compras sejam realizadas diariamente e em quantidades mínimas, como vivenciado pela tia de Ivón. Essa precariedade energética afeta diretamente os serviços urbanos, desde o funcionamento de bombas d'água até a disponibilidade de caixas eletrônicos, telefonia e internet, paralisando atividades bancárias e procedimentos legais.

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Escassez, Inflação e o Cerco Geopolítico

O endurecimento do bloqueio energético imposto pelos EUA, iniciado em janeiro, com a administração Donald Trump ameaçando com tarifas países que negociassem petróleo com Cuba, e a classificação da ilha como uma "ameaça incomum e extraordinária" à segurança norte-americana, aprofundaram drasticamente a crise. Esta medida, justificada pelo alinhamento político de Havana com Rússia, China e Irã, limitou severamente a capacidade cubana de adquirir combustível no mercado global, fundamental para um país que gera cerca de 80% de sua energia através de termelétricas.

As consequências econômicas são imediatas e severas. Ivón Rivas observa que a inflação se acelerou de forma alarmante nas últimas semanas, com os preços de alimentos básicos como arroz, óleo e carne de frango disparando e tornando-os inacessíveis para muitos cubanos. A escassez de bens, aliada à desvalorização da moeda local, cria um ciclo vicioso de dificuldades que pressiona ainda mais as famílias.

Mais Severo que o 'Período Especial': Uma Análise Histórica

Feliz Jorge Thompson Brown, economista cubano aposentado de 71 anos e tio de Ivón, testemunha um período de crise sem precedentes, superando até mesmo o "Período Especial" da década de 1990. Naquele tempo, a queda do bloco socialista liderado pela União Soviética privou Cuba de seus principais parceiros comerciais, mas, segundo Feliz Jorge, a resiliência e a compreensão social eram diferentes.

Ele argumenta que, diferentemente da década de 90, quando a juventude ainda tinha memória dos avanços sociais da Revolução, a geração atual carece desse contexto, gerando maior incerteza e dificultando a superação espiritual da crise. "Este é o momento mais difícil que o país já enfrentou. É mais cruel e severo do que durante o período especial, tanto material quanto espiritualmente mais desafiador", afirma. Além disso, a capacidade do Estado de fornecer a cesta básica de alimentos subsidiada diminuiu significativamente em comparação com as décadas anteriores, exacerbando a vulnerabilidade da população.

Perspectivas Sombrias e Resiliência Diária

A situação em Cuba reflete uma crise multifacetada, onde as sanções internacionais se entrelaçam com desafios internos e a histórica dependência energética. Os relatos de moradores de Havana pintam um quadro de exaustão e incerteza, mas também de uma busca diária por adaptação e resiliência diante de adversidades que se acumulam. A comunidade internacional observa enquanto os cubanos enfrentam o que é amplamente considerado o capítulo mais sombrio de sua história recente, com o sistema de saúde próximo do colapso e o cotidiano de milhões de pessoas à mercê da disponibilidade de energia e alimentos.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

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