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FMI: Bolsa Família Não Impede Mulheres de Trabalhar, Mas Maternidade Pesa no Mercado

Dinael Monteiro
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© Elza Fiuza/Agência Brasil

Um recente estudo conduzido pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) oferece uma perspectiva detalhada sobre o impacto do programa Bolsa Família na participação feminina na força de trabalho brasileira. A pesquisa desmistifica a ideia de que o benefício social, por si só, desencoraja as mulheres a buscar emprego, apontando que, na maioria dos casos, o programa não reduz a sua inserção no mercado. No entanto, o relatório destaca uma exceção crucial: mães de crianças com até seis anos de idade enfrentam barreiras significativas para conciliar o trabalho remunerado com as demandas familiares.

Bolsa Família e a Gestão Feminina da Renda Familiar

O programa Bolsa Família tem um papel central na gestão financeira de milhões de lares brasileiros, e a figura feminina é preponderante nesse contexto. Quase 85% das famílias beneficiárias são chefiadas por mulheres, que assumem a responsabilidade pela administração dos recursos recebidos. Essa centralidade da mulher na gestão do orçamento familiar, segundo o estudo do FMI, não se traduz em uma diminuição geral de sua participação no mercado de trabalho, indicando que o benefício serve mais como um suporte à renda do que como um desincentivo à busca por autonomia financeira.

Maternidade e as Barreiras Estruturais ao Emprego Feminino

Apesar do impacto neutro do Bolsa Família na participação feminina em geral, o estudo do FMI revela que a maternidade, especialmente nos primeiros anos da criança, representa um dos maiores obstáculos para as mulheres no mercado de trabalho. Para aquelas com filhos de até seis anos, a participação é notavelmente menor. As razões são complexas e multifacetadas, envolvendo principalmente as responsabilidades domésticas e o cuidado familiar não remunerado, que recaem desproporcionalmente sobre as mulheres. Dados alarmantes mostram que, em média, elas dedicam dez horas semanais a mais que os homens a essas tarefas.

Essa disparidade se intensifica após o nascimento dos filhos. A pesquisa aponta que metade das mulheres abandona o mercado de trabalho remunerado até dois anos após o nascimento do primeiro filho, evidenciando uma lacuna de suporte e infraestrutura que as força a priorizar o ambiente doméstico em detrimento de suas carreiras.

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O Impacto Econômico da Inclusão Feminina no Mercado

A presença das mulheres na força de trabalho vai além de uma questão social; ela é um vetor crucial para o crescimento econômico de um país. O FMI enfatiza que, se a diferença na participação entre homens e mulheres no mercado de trabalho brasileiro pudesse ser reduzida de 20 para 10 pontos percentuais, o país poderia registrar um aumento de meio ponto percentual em seu crescimento anual até o ano de 2033. Esse dado sublinha o vasto potencial inexplorado e a importância estratégica de políticas que promovam a equidade de gênero no ambiente profissional.

Caminhos para Superar as Desigualdades e Promover o Trabalho Digno

Diante desses desafios, o FMI sugere medidas concretas para impulsionar a participação feminina no mercado de trabalho e, consequentemente, o desenvolvimento nacional. Entre as soluções propostas, destaca-se a necessidade urgente de ampliar o acesso a creches e outras formas de cuidado infantil, o que permitiria que mais mães retornassem ou ingressassem na força de trabalho com maior tranquilidade. Além disso, o estudo recomenda incentivos ao trabalho remunerado para as mulheres e ações para mitigar as persistentes diferenças salariais entre gêneros, garantindo que o esforço feminino seja devidamente reconhecido e valorizado.

Tais estratégias são essenciais para construir um mercado de trabalho mais inclusivo e equitativo, onde as mulheres, especialmente as mães, possam desenvolver plenamente seu potencial profissional sem que as responsabilidades familiares se tornem um impedimento intransponível.

Conclusão: Políticas Sociais e Estruturas de Apoio na Jornada Feminina

O estudo do FMI lança luz sobre a complexa interação entre programas sociais e a participação das mulheres no mercado de trabalho. Embora o Bolsa Família não seja um fator de exclusão, as responsabilidades de cuidado e as lacunas na infraestrutura de apoio à primeira infância emergem como os verdadeiros gargalos. A plena inclusão das mulheres na economia brasileira, com todas as suas vantagens sociais e econômicas, dependerá não apenas da manutenção de programas de transferência de renda, mas, sobretudo, da implementação de políticas públicas robustas que abordem as barreiras estruturais que ainda limitam suas oportunidades, especialmente no período da maternidade.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

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