O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, sinalizou um momento de amadurecimento econômico no Brasil que permite uma revisão estratégica das despesas sociais. Durante o CEO Conference Brasil 2026, promovido pelo BTG Pactual em São Paulo, o ministro revelou que a pasta já estuda a viabilidade de uma nova arquitetura para os benefícios assistenciais, incluindo a possibilidade de fusões entre programas. Embora ainda não constitua um projeto oficial de governo nem tenha sido submetido ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a iniciativa reflete uma busca por maior eficiência e modernização na gestão dos recursos públicos.
Repensando a Rede de Proteção Social do Brasil
A proposta central de Haddad para a área social não visa a redução dos gastos, mas sim a otimização e a sustentabilidade dos programas existentes. Ele comparou a visão atual à gênese do Bolsa Família em 2003, quando múltiplos programas foram consolidados sob um único guarda-chuva, resultando em um modelo que ganhou reconhecimento internacional. O ministro sugere que o país está preparado para uma solução mais criativa, onde a discussão sobre uma renda básica universal, por exemplo, encontra um terreno fértil. A ideia vem sendo debatida entre técnicos, inclusive aqueles não diretamente ligados ao governo, que veem na atual conjuntura econômica uma oportunidade para inovar na forma como o Estado ampara seus cidadãos.
A Visão da Fazenda para a Reforma Tributária
Haddad também destacou a reforma tributária como um dos legados mais significativos de sua gestão na Fazenda. O ministro expressou grande otimismo, prevendo que, após a aprovação das mudanças, o Brasil ascenderá a uma posição de destaque entre os melhores sistemas tributários do mundo. Atualmente, o país é classificado entre os piores globalmente pelo Banco Mundial, ocupando a vexatória 184ª posição entre 190 nações avaliadas. Acreditando na profundidade das transformações nos impostos sobre o consumo, Haddad projeta que a digitalização e a transparência introduzidas pela reforma serão os catalisadores para essa melhora substancial, esperando que os benefícios sejam claros para todos a partir de janeiro do próximo ano.
Diálogo com o Banco Central e o Caso Banco Master
Abordando a esfera monetária, o ministro ressaltou a importância de uma relação construtiva com o Banco Central, reconhecendo seu papel decisivo na economia. Haddad esclareceu que suas ponderações sobre a manutenção de juros altos são reflexões técnicas e não intenções de desqualificar autoridades. Ele argumenta que, com a inflação em queda e o juro nominal estável, a continuidade da escalada do juro real carece de justificativa evidente. Em um movimento de apoio, o ministro elogiou a atuação do presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, na gestão da crise envolvendo o Banco Master. Haddad apontou que o crescimento exponencial da instituição foi interrompido com a chegada de Galípolo, revelando uma fraude de R$ 12 bilhões. Ele enfatizou a necessidade de as investigações indicarem os responsáveis pela gestão fraudulenta, questionando como tal situação pôde alcançar tamanha proporção.
Perspectivas para o Futuro Econômico
A série de declarações de Fernando Haddad delineia um governo focado em reformas estruturais e modernização. Desde a reimaginação dos programas sociais para torná-los mais eficazes e alinhados às necessidades contemporâneas, passando pela ambiciosa reforma tributária que busca transformar a percepção e a eficiência do sistema fiscal brasileiro, até a postura vigilante e propositiva em relação à política monetária e à integridade do sistema financeiro, as iniciativas visam solidificar a estabilidade econômica e impulsionar o desenvolvimento do país em diversas frentes. A agenda do ministro reflete um compromisso com a busca por soluções inovadoras para desafios de longa data.


