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Jovens Gigantes do Samba: A Ascensão de Novas Escolas na Disputa Pelo Título da Série Ouro

Dinael Monteiro
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© Gustavo Domingues/RioTur

O cenário do carnaval carioca se prepara para um embate de gerações na Série Ouro. De um lado, escolas de samba com história e tradição, verdadeiros medalhões do sambódromo, como Império Serrano e Estácio de Sá. Do outro, um novo fôlego que chega com agremiações mais jovens, dispostas a desafiar o status quo e conquistar seu lugar ao sol. O desfile deste sábado (14) na Marquês de Sapucaí não é apenas uma competição; é a busca por uma vaga no cobiçado Grupo Especial em 2027, um sonho que impulsiona a criatividade e a paixão de todas as escolas.

A Ascensão das Novatas: Desafios e Ambição

A disputa na Série Ouro destaca um fenômeno crescente: escolas fundadas em tempos mais recentes, que trazem consigo um dinamismo e uma visão fresca para a avenida. Entre elas, a União de Maricá e o Botafogo Samba Clube representam essa nova onda, cada uma com suas particularidades e enredos ambiciosos, prometendo performances memoráveis que podem redefinir o futuro do carnaval carioca. A presença dessas agremiações demonstra que a tradição se renova, e a excelência pode florescer em qualquer idade.

União de Maricá: Identidade, Rebeldia e o Enredo 'Balangandãs'

Fundada em 2015, a União de Maricá fará sua terceira apresentação na Série Ouro em 2026, e chega com um trunfo: o carnavalesco Leandro Vieira. Conhecido por sua capacidade de inovar e emocionar, Vieira acumula títulos expressivos no Grupo Especial com a Mangueira (2016 e 2019) e a Imperatriz Leopoldinense (2020), além de um campeonato na Série Ouro com o Império Serrano em 2022. Sua expertise é um motor para a escola, que busca sua primeira ascensão à elite.

O enredo escolhido para o desfile é 'Berenguendéns e Balangandãs', uma proposta que Vieira carregava há tempos, inspirada na ideia de 'contar um pouco a história que a história não conta'. Os 'balangandãs', tradicionais joias da ourivesaria negra brasileira, transcendem a mera ornamentação. Conforme explicado pelo carnavalesco, eles simbolizam uma narrativa profunda de identidade, rebeldia e transgressão. Essas peças, acumuladas por mulheres pretas através do ganho diário, representavam uma forma de poupança que lhes conferia uma liberdade construída por elas mesmas, e não concedida.

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Para Leandro Vieira, o enredo da Maricá possui um caráter pedagógico e afirmativo. Ao olhar para essa história de luta e resiliência, o objetivo é popularizar uma ideia que inspire orgulho na comunidade. O carnavalesco ressalta a crescente compreensão da escola sobre a importância do seu território e o envolvimento da população, enfatizando que um projeto carnavalesco se fortalece e 'se agiganta' quando uma ideia é abraçada coletivamente para defender um território.

Botafogo Samba Clube: A Estrela Solitária na Passarela do Samba

Outra revelação no carnaval é o Botafogo Samba Clube, criado em 2018. Sua trajetória meteórica começou na Série D em 2019, na Passarela Popular da Intendente Magalhães, e após ascender à Série Prata, garantiu sua estreia na Série Ouro em 2025. Com seu pavilhão adornado pela 'Estrela Solitária', símbolo do clube de futebol ao qual é ligado, a agremiação faz história ao se tornar a primeira escola com essa conexão a desfilar na Marquês de Sapucaí.

O enredo para 2026 é 'O Brasil que floresce em arte', uma homenagem ao genial paisagista Roberto Burle Marx, desenvolvido pelos carnavalescos Raphael Torres e Alexandre Rangel. A escolha temática buscou transcender as referências futebolísticas, buscando uma liberdade criativa para explorar o 'colorido' do carnaval. A iniciativa, aceita desde o início, permitiu à escola celebrar a grandiosidade da arte e da natureza brasileiras através da obra de Burle Marx.

O desfile da Botafogo Samba Clube promete uma viagem pela mente de Burle Marx. O primeiro setor explorará suas pinturas abstratas que deram origem aos jardins modernistas, com foco na inovação de utilizar plantas nativas brasileiras, abandonando os moldes europeus. Em seguida, será abordada a invenção do paisagismo moderno, com destaque para o icônico calçadão de Copacabana. A paixão de Burle Marx pela flora nacional será traduzida visualmente, e as expedições que o artista realizou pelos biomas brasileiros inspirarão o terceiro setor, ressaltando a diversidade vegetal de cada região. O ápice do desfile culminará com uma alegoria que representa o Sítio de Burle Marx, imortalizando seu legado vivo.

A Nova Era do Carnaval Carioca

A presença e o protagonismo dessas escolas 'jovens' na Série Ouro injetam uma dose de frescor e renovação no carnaval do Rio de Janeiro. Com enredos bem pesquisados, visões artísticas ousadas e uma notável capacidade de engajamento comunitário, União de Maricá e Botafogo Samba Clube demonstram que a inovação e a tradição podem coexistir e se fortalecer. Suas narrativas enriquecem a cultura do samba, e seus desfiles são aguardados com grande expectativa, não apenas pela disputa de uma vaga na elite, mas pela promessa de um espetáculo que reflete a diversidade e a pujança criativa do Brasil.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

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