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Líbano em Crise: Ataques Israelenses Deixam Rastro de Destruição em Saúde e Infraestrutura Civil

Dinael Monteiro
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© Reuters/Adnan Abidi/proibida a reprodução

Em um período de 45 dias, os conflitos na fronteira entre Líbano e Israel resultaram em uma devastação alarmante na infraestrutura libanesa, com um foco particular no setor de saúde. Relatórios detalhados apontam para um cenário de crise humanitária agravada por bombardeios sistemáticos que comprometeram severamente a capacidade do país de fornecer assistência médica e abrigar sua população.

Ataques Sistemáticos ao Sistema de Saúde Libanês

O Ministério da Saúde do Líbano divulgou um balanço sombrio, revelando que 129 unidades de saúde foram danificadas pelos bombardeios israelenses. A ofensiva causou a morte de 100 profissionais de saúde e feriu outros 233, um ataque direto àqueles que estão na linha de frente do socorro. Além disso, 116 ambulâncias foram atingidas, e seis hospitais foram forçados a encerrar suas operações, evidenciando a incapacidade de manter os serviços essenciais em meio à hostilidade.

A gravidade desses incidentes foi prontamente condenada pela Organização das Nações Unidas (ONU). O escritório de Coordenação de Assuntos Humanitários (Ocha) no Líbano declarou que tais ataques constituem uma “grave violação do direito internacional humanitário”, minando o acesso fundamental da população aos serviços de saúde e aprofundando a crise.

O Vasto Rastro de Destruição e a Crise Humanitária Crescente

Além do setor de saúde, o conflito teve um custo humano e material devastador em outras frentes. Nos mesmos 45 dias, cálculos provisórios do Ministério da Saúde libanês indicam que 2.294 pessoas perderam a vida e 7.500 ficaram feridas, incluindo pelo menos 177 crianças mortas e 704 feridas. A imprensa também foi alvo, com estimativas de que pelo menos sete jornalistas foram atacados durante esta fase da guerra.

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A infraestrutura civil foi igualmente arrasada. O Conselho Nacional de Pesquisa Científica do Líbano (CNRS) calculou que, até 12 de abril, 37.800 unidades habitacionais foram destruídas, predominantemente nos subúrbios da capital, Beirute. O CNRS ressaltou que esses danos representam cerca de 16% do total acumulado de toda a guerra, destacando uma rápida intensificação da destruição em um período concentrado.

O jornalista e especialista em geopolítica Anwar Assi, com conhecimento profundo das áreas bombardeadas em Beirute, afirmou à Agência Brasil que se tratam de regiões 100% civis, onde os escritórios do Hezbollah, mesmo que existam, são de natureza civil e não justificariam ataques sob a lei internacional. Ele contesta as alegações israelenses de presença de foguetes, sugerindo que a verdadeira intenção dos ataques em áreas densamente povoadas era forçar o deslocamento em massa e criar pressão sobre a sociedade libanesa.

Estratégia de Deslocamento e Alegações de Crimes de Guerra

A estratégia de Israel na região sul do Líbano, segundo o governo do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, visa criar uma zona despovoada até o Rio Litani, a cerca de 30 quilômetros da fronteira. O Ministro da Defesa israelense, Israel Katz, já havia declarado em março que não permitiria o retorno dos milhares de deslocados para suas casas ao sul do rio. Essa política foi evidenciada pela tentativa de tomar a cidade de Bent Jbeil, de 30 mil habitantes.

Como resultado direto das ordens de deslocamento em massa, que abrangem aproximadamente 15% do território libanês, mais de 1,2 milhão de pessoas foram forçadas a deixar suas residências, conforme dados do Ocha. O deslocamento forçado de populações civis é amplamente reconhecido como um crime de guerra, exacerbando a crise humanitária e a instabilidade na região.

Apesar das supostas intenções de Tel Aviv de criar um descontentamento popular contra o Hezbollah, o especialista Anwar Assi observa que isso não tem se concretizado, com a maioria da população mantendo o apoio à resistência e rejeitando a ideia de uma guerra civil interna. O presidente do Parlamento libanês, Nabih Berri, reforçou essa postura, alertando que minar a unidade nacional e a paz civil serve apenas aos objetivos de Israel, conforme noticiado pela Agência Nacional de Notícias do Líbano.

Repercussões Internacionais e Apelos por Responsabilidade

A comunidade internacional tem manifestado crescente preocupação com a escalada dos conflitos e o desrespeito ao direito humanitário. Além do Ocha, a Organização Mundial da Saúde (OMS) expressou alarme com avisos para evacuar hospitais em Beirute, destacando o risco para vidas inocentes e o colapso dos sistemas de saúde.

Os ataques contra infraestruturas civis e de saúde são categorizados como crimes de guerra. Enquanto Israel alega atingir infraestrutura militar do Hezbollah e acusa o grupo de usar civis como escudo, essas acusações são questionadas por organizações de direitos humanos e negadas pela organização xiita. A persistência desses ataques, como a destruição da Ponte de Qasmiyeh sobre o Rio Litani, que isolou a região sul do resto do país, sublinha a urgência de uma adesão estrita ao direito internacional para proteger a população civil e garantir a prestação de ajuda humanitária.

A situação no Líbano permanece crítica, com o país enfrentando uma severa crise humanitária resultante de bombardeios contínuos que visam não apenas alvos militares, mas também a vida e o sustento da população civil. A necessidade de proteção para civis, profissionais de saúde e infraestruturas vitais é premente, exigindo um compromisso internacional renovado com os princípios do direito humanitário e a responsabilização por violações.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

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