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Maracatu Cambinda Brasileira: 108 Anos de História, Resistência e Identidade Cultural em Pernambuco

Dinael Monteiro
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© Paulo Pinto/Agência Brasil

O Maracatu Rural, uma vibrante manifestação folclórica pernambucana, tem suas origens profundamente enraizadas nos engenhos da Zona da Mata entre os séculos XIX e XX. Nascido das mãos de trabalhadores rurais, esse folguedo é uma rica amálgama de influências culturais africanas, indígenas e europeias. Neste Carnaval, uma de suas mais emblemáticas expressões, o Maracatu Cambinda Brasileira, atinge um marco histórico, celebrando seus 108 anos de atividade ininterrupta, consolidando-se como um patrimônio vivo e um farol da identidade cultural do estado.

As Múltiplas Faces do Maracatu Pernambucano

Embora o Maracatu Rural, ou de Baque Solto, seja amplamente reconhecido, é importante notar que a tradição pernambucana abrange outras variações significativas. Walter França, um dos maiores especialistas no tema, elucida essa distinção: “No maracatu pernambucano existem alguns tipos. Os mais tradicionais correspondem ao maracatu de baque virado, ou maracatu nação, e o outro é o maracatu de baque solto, ou também chamado de maracatu rural. Basicamente, essas são as diferenças entre os dois tipos de maracatu”. Essa diversidade reflete a complexidade e a riqueza de uma manifestação cujos primeiros registros documentais de folguedos semelhantes remontam a 1711, com forte presença em Recife, Olinda e nas cidades da Zona da Mata.

Maracatu Cambinda Brasileira: Um Século de Legado e Atividade Contínua

Dentro desse panorama cultural, o Maracatu Cambinda Brasileira se destaca não apenas pela sua longevidade, mas por sua resiliência. Fundado em 1918, é reconhecido como o maracatu mais antigo em atividade contínua no Brasil, um testemunho da paixão e dedicação de gerações de mestres e brincantes. Sua trajetória é um espelho da história do povo pernambucano, marcado por desafios e pela inabalável vontade de manter viva uma herança cultural tão valiosa.

O Caboclo de Lança: Guardião da Tradição

Central para a mística e visualidade do maracatu, a figura do Caboclo de Lança transcende o mero adereço festivo, representando força, proteção e resistência. Mestre Anderson Miguel, uma das vozes autorizadas dessa tradição, descreve a profundidade desse personagem: “A Cambinda Brasileira carrega uma história muito rica na cultura. Feita por povo pobre, mas que ama o que faz. Muita coisa mudou a maneira de fazer maracatu hoje. Minhas fantasias mudaram também, o investimento é muito alto para se manter. O caboclo de lança é a função de guardião do maracatu.” Ele detalha como o figurino, com sua gola imponente, chapéu adornado e a lança, captura a atenção do público, mas ressalta que "por trás da fantasia, tem muita história envolvida, começando pelo cravo que ele carrega na boca. Ali está toda a essência do caboclo, toda a sua proteção, todo o seu preparo, na nossa linguagem”.

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Ao completar 108 anos, o Maracatu Cambinda Brasileira não apenas celebra sua rica história, mas reafirma seu papel vital como um dos maiores símbolos de resistência cultural e identidade do povo pernambucano. Sua permanência é um lembrete eloquente do poder da arte e da tradição em transcender o tempo, mantendo viva a memória e a alma de uma comunidade que, através da música, da dança e do ritual, continua a contar sua própria história.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

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