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O Renascimento do Futebol em Gaza: Um Campo de Esperança entre as Ruínas da Guerra

Dinael Monteiro
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© Reuters/Mahmoud Issa/Proibida reprodução

Em um cenário de desolação e escombros que marcam a paisagem de Gaza, o esporte mais popular do mundo reapareceu como um poderoso símbolo de vida e resistência. Pela primeira vez em mais de dois anos, o apito inicial ecoou em um torneio de futebol na Faixa, trazendo à tona uma complexa mistura de emoções e uma mensagem inabalável de que, mesmo em meio à destruição, o espírito humano busca a continuidade e a alegria.

O Retorno Aos Campos Devastados

O palco para este marcante retorno foi o desgastado Palestine Pitch, situado nas ruínas do bairro de Tal al-Hawa, na Cidade de Gaza. Ali, em um terreno baldio cercado por prédios desmoronados, equipes como Jabalia Youth e Al-Sadaqa, seguidas por Beit Hanoun e Al-Shujaiya, disputaram as primeiras partidas de um torneio há muito aguardado. Os resultados – empates em ambos os confrontos – pouco importaram para os espectadores. Eles, com fervor palpável, agitavam a cerca de arame, enquanto meninos subiam em muros quebrados e espreitavam por buracos nas ruínas para não perderem um lance sequer, ao som ritmado de um tambor que quebrava o silêncio da devastação.

Entre a Alegria e a Dor: A Voz dos Atletas

A experiência de voltar a campo, contada por Youssef Jendiya, de 21 anos, jogador do Jabalia Youth, reflete a realidade multifacetada de Gaza. Vindo de uma área severamente atingida e despovoada pelas forças israelenses, Jendiya descreveu seu estado de espírito como 'confuso. Feliz, triste, alegre, feliz'. Ele sublinha a dificuldade da vida diária, onde a busca por água, comida e pão é uma constante. No entanto, o futebol oferece um respiro, um momento de libertação e expressão. Essa alegria, contudo, é agridoce. 'Você vem ao estádio sentindo falta de muitos dos seus companheiros de equipe… mortos, feridos ou aqueles que viajaram para receber tratamento. Então, a alegria é incompleta', lamentou o jovem atleta, encapsulando a dor das perdas que assombram a comunidade esportiva local.

Um Cenário de Destruição e Resiliência

Quatro meses após o cessar-fogo que encerrou os principais combates, a reconstrução em Gaza permanece quase estagnada. A maioria dos mais de dois milhões de habitantes está aglomerada em uma faixa costeira de ruínas, vivendo em barracas improvisadas ou edifícios danificados, após serem forçados a evacuar quase dois terços da região. O que antes foi o Estádio Yarmouk, com capacidade para 9.000 espectadores na Cidade de Gaza – um local que as forças israelenses destruíram e utilizaram como centro de detenção –, agora é um acampamento de famílias deslocadas, com tendas brancas espalhadas sobre a terra que já foi um campo verdejante. Para viabilizar o torneio atual, a Associação de Futebol de Gaza empreendeu um esforço notável: limpar os escombros de um muro desabado no campo de tamanho reduzido, erguer uma nova cerca e varrer os detritos da antiga grama artificial, transformando, mesmo que temporariamente, um símbolo de destruição em um palco para o esporte.

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Ao pisarem no campo, os times não apenas jogavam futebol; eles 'passavam uma mensagem', como destacou Amjad Abu Awda, de 31 anos, jogador do Beit Hanoun. Essa mensagem é um testemunho da inextinguível vontade de viver: 'Que não importa o que tenha acontecido em termos de destruição e guerra genocida, continuamos jogando e vivendo. A vida precisa continuar'. Assim, o retorno do futebol a Gaza transcende o esporte, tornando-se um poderoso manifesto de resistência cultural e humana, um lembrete vívido de que a esperança pode florescer até mesmo nas cicatrizes mais profundas da guerra.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

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