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Redução da Jornada de Trabalho: Governo Propõe Fim da Escala 6×1 para Aliviar Dupla Jornada Feminina

Dinael Monteiro
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© Marla Galdino/Divulgação/Ministério das Mulheres

O governo federal impulsiona um amplo debate nacional sobre a reestruturação da jornada máxima de trabalho no Brasil. A proposta central é reduzir o limite atual de 44 para 40 horas semanais e eliminar a escala 6×1, que prevê seis dias de trabalho para um de descanso. O objetivo é transitar para um modelo de cinco dias de trabalho por dois de folga (5×2), visando primordialmente a melhoria da qualidade de vida da população, com um significativo aumento do tempo disponível para descanso e lazer dos trabalhadores.

A Luta Contra a Escala 6×1: Vozes do Cotidiano

A realidade desafiadora da escala 6×1 é vivida por milhares de brasileiros, como Denise Ulisses, cobradora de ônibus no Distrito Federal. Há 15 anos, Denise cumpre seis horas diárias de trabalho, de segunda a sábado, tendo apenas o domingo como folga. Sua rotina inclui a repetitiva jornada no transporte coletivo, controlando catracas e trocos, mas estende-se para além do ônibus, englobando as responsabilidades domésticas e a criação de dois filhos, hoje com 18 e 22 anos. Para ela, o período em que as crianças eram pequenas foi especialmente exaustivo.

Diante da possibilidade de aprovação da jornada 5×2, Denise já faz planos para um tempo livre mais substancial. Ela sonha com a liberdade de viajar para um sítio na sexta-feira à noite e só retornar no domingo à noite, valorizando profundamente a perspectiva de ter dois dias completos de descanso para se dedicar a atividades pessoais e familiares.

O Peso da Dupla Jornada: Um Desafio Feminino

A pauta do fim da escala 6×1 é considerada estratégica pelo governo federal, em especial pela ministra da Secretaria de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann. Ela enfatiza que o modelo atual de carga horária impacta desproporcionalmente as mulheres, sobre as quais recai o ônus da dupla jornada. Este termo se refere à realidade de muitas que, além de trabalharem formalmente, são as principais responsáveis pelo trabalho doméstico não remunerado e pelos cuidados com a família.

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A desigualdade é corroborada por dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua de 2022, do IBGE. O levantamento revela que as mulheres dedicam, em média, 21,3 horas semanais a afazeres domésticos e cuidados de pessoas, enquanto os homens despendem apenas 11,7 horas. Essa diferença, de quase o dobro do tempo, amplia-se ainda mais quando se analisam os números de mulheres pretas e pardas, que dedicam 1,6 hora a mais por semana a essas tarefas em comparação às mulheres brancas.

Desigualdade de Gênero e os Benefícios da Mudança

Sandra Kennedy, secretária Nacional de Articulação Nacional, Ações Temáticas e Participação Política do Ministério das Mulheres, aponta que a sobrecarga feminina na dupla jornada possui raízes estruturais, demandando uma revisão profunda da desigualdade de gênero na sociedade. Ela ressalta que, ao somar o trabalho formal e o doméstico, as mulheres trabalham significativamente mais do que os homens.

Para a representante do Ministério, a redução da jornada máxima de trabalho pode ser um passo fundamental para promover uma divisão mais equitativa das tarefas em casa. A secretária argumenta que o cuidado deve ser uma responsabilidade compartilhada entre homens e mulheres, e que a ampliação do tempo livre masculino, possibilitada pelo modelo 5×2, pode impulsionar essa corresponsabilidade, permitindo maior envolvimento deles nos afazeres domésticos e na criação dos filhos. Essa mudança é vista como crucial para combater o adoecimento feminino, frequentemente agravado pela exaustão da dupla jornada, que limita o tempo para estudo, qualificação e desenvolvimento pessoal e social.

Custos Invisíveis: Tempo e Oportunidades Perdidas

A jovem Tiffane Raany exemplifica como o excesso de trabalho cobra um alto preço, tanto no bem-estar físico quanto nas finanças. Auxiliar de serviços gerais em academias do Distrito Federal, Tiffane trabalha das 7h às 18h, de segunda a sexta, com uma hora de almoço, e tem ainda escalas alternadas de trabalho aos sábados ou domingos. Fora do emprego, sua rotina é dedicada integralmente aos cuidados da casa e de seu filho de 7 anos.

A falta de tempo e o cansaço resultam em custos diretos e indiretos. Tiffane precisa pagar R$ 350 mensais a uma cuidadora para seu filho no período em que ele está fora da escola. Além disso, a ausência da mãe para ajudar nas atividades escolares e o desgaste físico impactam o desenvolvimento e o convívio familiar. Essa rotina extenuante também a impede de retomar a faculdade de educação física, um desejo que adiou para buscar melhores remunerações, perpetuando um ciclo de trabalho intenso e estagnando seu potencial de crescimento profissional.

Um Futuro com Mais Tempo e Equidade

A proposta governamental de reduzir a jornada de trabalho e encerrar a escala 6×1 abre uma discussão fundamental sobre o futuro do trabalho e a qualidade de vida no Brasil. Ao priorizar o debate público com trabalhadores, empregadores e o Congresso Nacional, o governo busca não apenas promover mais tempo de descanso e lazer para todos, mas, crucialmente, endereçar a histórica sobrecarga que recai sobre as mulheres.

A transição para a jornada 5×2 representa um potencial avanço em direção a uma sociedade mais equitativa, onde as responsabilidades domésticas são compartilhadas de forma mais justa e onde as mulheres têm mais oportunidades para seu desenvolvimento pessoal, educacional e profissional, sem a exaustão imposta pela dupla jornada. É um passo significativo para construir um ambiente de trabalho que valorize o bem-estar e a igualdade de gênero, impactando positivamente a saúde social e econômica do país.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

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