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Super Bowl Transcende o Esporte em Celebração Multicultural Pró-Imigrantes com Forte Mensagem Anti-Trump

Dinael Monteiro
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© Carlos Barria

A final do campeonato de futebol americano, o Super Bowl, realizada em Santa Clara, Califórnia, na noite de domingo, 8 de fevereiro, transformou-se em um palco inesperado para uma expressiva manifestação multicultural. Longe de ser apenas um evento esportivo, a ocasião se destacou por uma celebração vibrante em favor dos países latino-americanos e uma crítica incisiva à política anti-imigração do governo norte-americano, personificada pelo então presidente Donald Trump. A partida em si, entre Seattle Seahawks e New England Patriots, foi, em grande parte, ofuscada pela intensidade das mensagens culturais e políticas transmitidas ao longo da noite.

O Tom Crítico se Inicia: Green Day no Pré-Jogo

A atmosfera de contestação começou a se desenhar antes mesmo do apito inicial. A banda Green Day, conhecida por sua postura abertamente anti-Trump e seu punk rock engajado, subiu ao palco e entoou alguns de seus maiores sucessos, incluindo o icônico 'American Idiot'. Embora o vocalista Billie Joe Armstrong tenha evitado citar nominalmente o presidente, como já havia feito em outras apresentações, a escolha da banda e do repertório foi amplamente interpretada como um recado direto à administração vigente, preparando o terreno para a mensagem que viria a seguir no intervalo.

Bad Bunny no Intervalo: Um Manifesto Latino-Americano

O ponto alto da noite, e que gerou a maior repercussão, foi a apresentação do cantor porto-riquenho Bad Bunny durante o famoso show do intervalo. Anunciado meses antes, sua presença já havia provocado desagrado no presidente Donald Trump, que se manifestou publicamente contra o artista. O espetáculo de Bunny, no entanto, transcendeu a mera performance musical, configurando-se como uma poderosa declaração de orgulho latino-americano e um inequívoco apoio aos imigrantes que vivem nos Estados Unidos, especialmente em um contexto de intensa atuação da ICE (Immigration and Customs Enforcement), a polícia de imigração, e suas controversas operações.

Simbolismo Cultural e Colaborações Marcantes

Com 13 minutos de duração, o show de Bad Bunny foi totalmente político e multicultural, celebrando a riqueza das nações latino-americanas e a inegável importância de suas comunidades dentro dos EUA. Sem citar diretamente Trump ou a ICE, cada elemento da apresentação ecoava um forte sentimento de orgulho latino. Todas as músicas e falas foram proferidas em espanhol, e o cenário transportava o público para uma plantação de cana-de-açúcar, uma cultura historicamente forte em Porto Rico e em outras regiões do continente. Elementos culturais latinos brotavam à medida que Bunny se movia pelo Levi’s Stadium.

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A festa ganhou ainda mais brilho com as participações especiais. A cantora Lady Gaga, convidada do astro da noite, surpreendeu ao entoar 'Die With a Smile' em inglês, mas em uma versão carregada de ritmo latino. Em seguida, o também porto-riquenho Ricky Martin juntou-se ao palco, cantando 'Lo Que Le Pasó a Hawaii', de Bad Bunny, uma canção com o tema da colonização predatória praticada por governos americanos. Essas colaborações reforçaram a mensagem de unidade e a celebração da identidade cultural.

A Dura Reação Presidencial: 'Um Tapa na Cara'

A resposta de Donald Trump foi quase imediata e virulenta. Utilizando sua rede social, a Truth Social, o então presidente teceu duras críticas ao show do intervalo. Em sua publicação, ele classificou a apresentação como "absolutamente terrível, um dos piores de todos os tempos! Não faz sentido, é uma afronta à Grandeza da América, e não representa nossos padrões de Sucesso, Criatividade ou Excelência."

Trump prosseguiu: "Ninguém entende uma palavra do que esse cara está dizendo, e a dança é nojenta, especialmente para crianças pequenas que estão assistindo por todos os Estados Unidos e no mundo. Este 'show' é apenas um 'tapa na cara' do nosso País… Não há nada inspiracional nessa bagunça de show do intervalo, que terá ótimos reviews da mídia de fake news, porque eles não têm ideia do que está acontecendo no MUNDO REAL. E, aliás, a NFL deveria substituir imediatamente essa regra do pontapé inicial. FAÇA A AMÉRICA GRANDE DE NOVO!" A veemência de suas palavras sublinhou a polarização política e cultural que o evento conseguiu expor.

Unidade Continental: A Poderosa Conclusão de Bad Bunny

No clímax de sua apresentação, dançarinos entraram no palco portando bandeiras de todos os países do continente americano. Bad Bunny surgiu segurando uma bola de futebol americano e proclamou "God Bless, America", caminhando em seguida e vocalizando os nomes de diversas nações da região, do Chile ao Canadá, passando por Brasil, Guatemala, Porto Rico e chegando aos Estados Unidos, conscientemente referindo-se à América como o continente. Ao final, o artista virou a bola para a câmera, revelando a frase "Juntos somos a América", e em seguida, com um olhar determinado, declarou em espanhol: "continuamos aqui".

Essa sequência final encapsulou a essência do espetáculo: uma mensagem contundente sobre a unidade, a resiliência e a inegável presença da cultura e do povo latino-americano nos Estados Unidos. O Super Bowl, desta vez, não foi apenas uma batalha esportiva, mas um fórum global onde a arte se encontrou com a política para celebrar a diversidade e desafiar narrativas, provando o poder da cultura em moldar o diálogo social em momentos de grande polarização.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

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