Ad imageAd image

Neuromielite Óptica: O Custo do Desconhecimento e a Luta por Tratamento no Brasil

Dinael Monteiro
Divulgação: Este site pode conter links de afiliados, o que significa que posso ganhar uma comissão se você clicar no link e efetuar uma compra. Recomendo apenas produtos ou serviços que uso pessoalmente e acredito que agregarão valor aos meus leitores. Agradecemos seu apoio!
© Tânia Rêgo/Agência Brasil

A neuromielite óptica (NMO), uma doença neurodegenerativa rara e grave de origem autoimune, impõe um fardo pesado a milhares de brasileiros. Caracterizada por ataques inflamatórios ao nervo óptico, cérebro e medula espinhal, a condição pode levar à perda de visão e de movimentos. Contudo, no Brasil, o desconhecimento generalizado sobre a NMO e as barreiras no acesso a tratamentos adequados têm sido cruciais para o agravamento dos casos e o atraso em diagnósticos precisos, impactando profundamente a qualidade de vida dos pacientes.

Compreendendo a Neuromielite Óptica e Seus Impactos

Conhecida também como Doença de Devic ou Distúrbios do Espectro da Neuromielite Óptica (NMOSD), esta patologia se manifesta quando o próprio sistema imunológico, ao invés de proteger o corpo, ataca por engano estruturas vitais do sistema nervoso central. Isso provoca surtos inflamatórios recorrentes, que podem causar danos permanentes e progressivos. Anteriormente confundida com a Esclerose Múltipla (EM), a ciência já estabeleceu que a NMO e a EM são condições distintas, com mecanismos patológicos e abordagens terapêuticas que requerem diferenciação clara para evitar tratamentos inadequados.

A Odisseia do Diagnóstico no Cenário Brasileiro

A raridade da neuromielite óptica, definida pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como uma doença que afeta cerca de 65 pessoas a cada 100 mil, agrava o cenário diagnóstico no Brasil. Estima-se que entre três mil e quatro mil indivíduos vivam com NMO no país, com maior prevalência em mulheres e na população afro-brasileira, e as primeiras manifestações geralmente ocorrem entre os 30 e 40 anos. Daniele Americano, presidente da NMO Brasil – uma entidade de apoio a pacientes e famílias –, diagnosticada em 2012, enfatiza que a falta de informação é um dos principais fatores para o agravamento da doença e o atraso na identificação. O diagnóstico correto, que exige a expertise de neurologistas especializados e, por vezes, neuro-oftalmologistas, frequentemente não ocorre de forma célere, levando a intervenções tardias e, consequentemente, a um pior prognóstico para os pacientes.

Barreiras no Acesso a Tratamentos e Medicamentos Essenciais

Após um diagnóstico desafiador, os pacientes de NMO no Brasil enfrentam uma nova e árdua batalha: o acesso a tratamentos eficazes. A presidente da NMO Brasil revela que aproximadamente 90% dos pacientes são forçados a recorrer à justiça para garantir medicamentos, uma vez que as terapias adequadas não estão amplamente disponíveis no Sistema Único de Saúde (SUS). A questão abrange tanto os medicamentos 'off label' – aqueles que, embora prescritos, não possuem registro na Anvisa para a indicação específica da NMO – quanto os 'on label', aprovados pela agência reguladora, mas ainda não incorporados à rede pública. Entre os fármacos essenciais para o controle da doença, como Enspryng (Satralizumabe), Uplizna (Inebilizumabe) e Ultomiris (Ravulizumabe), nenhum é ofertado pelo SUS. O Ministério da Saúde, por sua vez, informou que o Inebilizumabe e o Satralizumabe foram analisados pela Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (Conitec) em 2024 e 2025, respectivamente, mas tiveram parecer negativo para incorporação, citando critérios de custo-efetividade. Para o Ravulizumabe, a pasta afirmou não ter recebido qualquer pedido de avaliação para a indicação da NMO.

- Anúncio -
Ad image

A Urgência do Cuidado Multidisciplinar para a Qualidade de Vida

Além do tratamento medicamentoso, a abordagem multidisciplinar emerge como um pilar fundamental para a manutenção da qualidade de vida dos pacientes com neuromielite óptica, uma necessidade que, lamentavelmente, também não é priorizada no SUS. Daniele Americano destaca a importância vital de profissionais como psicólogos, fisioterapeutas e assistentes sociais. A fisioterapia, por exemplo, é crucial para pacientes com mobilidade reduzida, ajudando a prevenir a atrofia e a manter as capacidades motoras. O apoio psicológico é indispensável para lidar com o impacto emocional de uma doença rara e altamente incapacitante, que pode surgir repentinamente e forçar a interrupção da vida profissional. O acompanhamento de um assistente social, por sua vez, auxilia em questões sociais e de trabalho, especialmente para aqueles em idade produtiva, garantindo suporte abrangente que vai além do tratamento clínico.

A realidade dos portadores de neuromielite óptica no Brasil é um reflexo da lacuna entre o avanço médico e a disponibilidade de cuidados na saúde pública. Superar o desconhecimento, agilizar diagnósticos e garantir o acesso irrestrito a medicamentos e a uma rede de apoio multidisciplinar não são apenas questões de saúde, mas de direitos humanos. É imperativo que a sociedade, a classe política e as instituições de saúde unam esforços para que esses pacientes recebam o tratamento digno e completo de que necessitam, transformando a luta individual em uma conquista coletiva pela saúde e qualidade de vida.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

Compartilhar este arquivo
Nenhum comentário

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *