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Doação de Leite Humano: Um Recurso Vital e os Desafios para a Saúde de Prematuros

Dinael Monteiro
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© BLH IFF/Fiocruz/Divulgação

O Rio de Janeiro se tornou o epicentro de uma importante discussão global sobre a saúde infantil, sediando o I Congresso da Rede Global de Bancos de Leite Humano. Organizado pela Rede Brasileira de Bancos de Leite Humano (rBLH-BR/Fiocruz), o evento celebra os 15 anos do Dia Mundial de Doação de Leite Humano, sob o tema '15 Anos Promovendo Equidade e Resiliência'. Esta iniciativa visa não apenas comemorar os avanços conquistados, mas também aprofundar a reflexão sobre os desafios persistentes e as futuras perspectivas para a mobilização mundial em torno da doação de leite humano, reconhecida como uma ação indispensável para a recuperação de recém-nascidos prematuros e de baixo peso que necessitam de internação.

A Importância Terapêutica do Leite Humano Doado

O leite humano, especialmente o doado e processado por bancos de leite, transcende a função de um simples alimento para bebês prematuros e de baixo peso. Ele é um recurso terapêutico essencial, atuando diretamente no fortalecimento da imunidade, promovendo um desenvolvimento mais saudável e contribuindo significativamente para uma alta hospitalar mais precoce. Os Bancos de Leite Humano (BLHs) desempenham um papel crucial neste processo, oferecendo suporte às lactantes, coletando o excedente de produção, e realizando um rigoroso processamento e controle de qualidade para garantir que o leite chegue com segurança aos recém-nascidos mais vulneráveis.

Mobilização e a Luta Contra o Desperdício

Apesar da reconhecida importância, um dos maiores desafios enfrentados pela rBLH é a sensibilização das mulheres lactantes para que doem o leite excedente, em vez de descartá-lo. Danielle Aparecida da Silva, coordenadora da rBLH e do Banco de Leite Humano do Instituto Nacional de Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente Fernandes Figueira (IFF/Fiocruz), destaca a necessidade urgente de educar a sociedade sobre o destino vital que esse leite pode ter. Frequentemente, mulheres com alta produção descartam o volume que seus bebês não consomem, evidenciando uma lacuna de conhecimento que os bancos de leite buscam preencher ativamente.

A dificuldade em alcançar um volume de doações suficiente para atender 100% dos recém-nascidos necessitados é agravada pela flutuação sazonal. Observa-se uma queda significativa nas doações após o mês de maio e durante os períodos de férias e festas de fim de ano. Essa instabilidade é preocupante, especialmente com a proximidade do inverno, quando o aumento de doenças respiratórias leva a um maior número de internações de bebês, elevando drasticamente a demanda por leite humano doado em um momento em que a oferta pode ser mais escassa.

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Cenário Nacional: Disparidades Regionais e a Busca pela Autossuficiência

Embora o Brasil conte com mais de 230 bancos de leite humano, o cenário nacional de doações apresenta disparidades regionais marcantes. O Distrito Federal, por exemplo, alcançou a autossuficiência, conseguindo coletar um volume de leite capaz de atender integralmente à demanda de seus bebês. Estados como Rio Grande do Sul e Santa Catarina também estão progredindo em direção a essa sustentabilidade. No entanto, as regiões Norte e Nordeste enfrentam maiores dificuldades, com a maioria dos estados possuindo apenas um banco de leite, exceção feita ao Amazonas e Pará. Esse contraste evidencia a necessidade de intensificar os esforços de expansão e mobilização em diversas partes do país.

Apesar de um aumento geral de 8% nas doações de leite humano no Brasil, esse crescimento ainda é considerado insuficiente para as necessidades atuais. No estado do Rio de Janeiro, que possui uma rede de 17 bancos de leite distribuídos pela capital, região metropolitana e interior, as doações têm se mantido estáveis e, em alguns meses, até diminuíram. Este panorama reforça a urgência de campanhas mais eficazes e de uma conscientização contínua para garantir que cada gota de leite excedente possa fazer a diferença na vida de um bebê vulnerável.

Inovação e Engajamento: Lições da Pandemia

Um avanço notável nos últimos 15 anos foi a capacidade da Rede Brasileira de Bancos de Leite Humano de se reinventar, especialmente durante a pandemia de COVID-19. Diante do desafio do distanciamento geográfico, a rede lançou um edital internacional para a escolha do slogan do Dia Mundial de Doação de Leite Humano, abrindo a participação não apenas a profissionais de saúde, mas à sociedade global. Recebendo propostas de cinco continentes, de países como Argentina e Índia, a iniciativa culminou em uma votação popular que escolheu o slogan: 'A pandemia trouxe mudanças; a sua doação traz esperança'. O sucesso foi tamanho que, nos anos seguintes, as campanhas do Ministério da Saúde passaram a adotar os slogans vencedores desses concursos, demonstrando a força do engajamento popular na promoção desta causa vital.

A doação de leite humano, embora apresente desafios persistentes, continua sendo um pilar fundamental para a saúde e o desenvolvimento de bebês prematuros e de baixo peso. A mobilização contínua, a superação das disparidades regionais e a criatividade na sensibilização da sociedade são cruciais para assegurar que este recurso vital esteja disponível para todos que dele necessitam, promovendo equidade e resiliência nas novas gerações.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

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