O Brasil deu um passo significativo em sua estratégia de combate à dengue, iniciando nesta semana a vacinação direcionada aos profissionais de saúde da atenção primária. A iniciativa visa imunizar 1,2 milhão de trabalhadores que atuam na linha de frente do Sistema Único de Saúde (SUS), marcando um avanço crucial na proteção dos cuidadores e na contenção da doença. As primeiras 650 mil doses do imunizante já foram distribuídas aos estados, com a remessa restante prevista para os próximos dias, sinalizando o compromisso do Ministério da Saúde em fortalecer a resposta nacional.
Prioridade Estratégica: Protegendo Quem Cuida da População
A decisão de priorizar os profissionais da atenção primária reflete uma abordagem estratégica. Estes trabalhadores, incluindo médicos, enfermeiros, técnicos de enfermagem, agentes comunitários de saúde e outros membros de equipes multiprofissionais, desempenham um papel vital tanto na prevenção quanto no primeiro atendimento aos casos de dengue. O Ministério da Saúde enfatiza que a imunização desta categoria é fundamental para proteger quem está em contato direto com a população, monitorando potenciais criadouros do mosquito Aedes aegypti e oferecendo os primeiros cuidados essenciais. O ministro Alexandre Padilha ressaltou a importância desses profissionais, que atuam desde a mobilização comunitária até o acolhimento inicial dos pacientes.
Abrangência do Público-Alvo na Saúde
A campanha se estende a uma ampla gama de trabalhadores cadastrados no SUS. Além das equipes assistenciais e de prevenção, como odontólogos e agentes de combate às endemias, são contemplados também os profissionais administrativos e de apoio das unidades de saúde. Isso inclui recepcionistas, seguranças, pessoal da limpeza, motoristas de ambulância e cozinheiros, reconhecendo o ambiente de risco e a importância de todos os que contribuem para o funcionamento das unidades básicas de saúde.
Inovação Brasileira: A Vacina do Butantan e a Autonomia Nacional
A campanha de vacinação é impulsionada por um imunizante de fabricação 100% nacional, desenvolvido pelo Instituto Butantan. Esta vacina, que se destaca por ser tetraviral e de dose única, representa um marco significativo para a ciência brasileira e para a autonomia do país em saúde pública. Sua eficácia é notável, com estudos indicando uma proteção de 74,7% contra a dengue sintomática em indivíduos de 12 a 59 anos, e uma impressionante taxa de 89% contra as formas mais graves da doença e com sinais de alarme. O desenvolvimento integralmente nacional confere ao Brasil maior capacidade de resposta a futuras crises epidemiológicas e reforça seu papel como polo de pesquisa e produção de imunobiológicos.
Expansão da Vacinação e Estratégias de Avaliação
A vacinação contra a dengue não se limitará aos profissionais de saúde. O Ministério da Saúde já planeja a ampliação para a população em geral, focando inicialmente na faixa etária de 15 a 59 anos, começando pelos grupos mais velhos, no segundo semestre deste ano. Essa expansão, contudo, dependerá diretamente do aumento da capacidade produtiva do Instituto Butantan. Para garantir a disponibilização das doses necessárias, o Ministério investiu R$ 368 milhões, assegurando a compra de 3,9 milhões de unidades do imunizante.
Paralelamente à campanha nacional, uma estratégia de avaliação do impacto do imunizante na dinâmica populacional da dengue está em curso desde janeiro. Três municípios-piloto – Botucatu (SP), Maranguape (CE) e Nova Lima (MG) – foram selecionados para testar a vacinação em adolescentes e adultos de 15 a 59 anos. Essa iniciativa visa coletar dados cruciais sobre a efetividade da vacina em cenários reais, informando futuras decisões e otimizando a campanha em escala nacional.
Parceria Internacional e Projeções de Produção em Larga Escala
Para atender à demanda futura da vacinação em massa, o Brasil estabeleceu uma parceria estratégica com a China, envolvendo o Instituto Butantan e a empresa WuXi Vaccines. Essa cooperação prevê a transferência de tecnologia, permitindo um aumento significativo na produção da vacina nacional. A expectativa é que essa colaboração possibilite uma elevação de até 30 vezes na capacidade de fabricação do imunizante, abrindo caminho para a vacinação em larga escala da população brasileira. Essa iniciativa é crucial para garantir que o país tenha acesso contínuo e suficiente às doses, essencial para um controle efetivo da dengue em longo prazo.
Cenário Epidemiológico: Redução Expressiva e Vigilância Constante
O ano de 2025 tem sido marcado por uma significativa redução nos casos de dengue no Brasil. O Ministério da Saúde registrou 1,7 milhão de casos prováveis da doença, uma queda de 74% em comparação aos 6,5 milhões contabilizados em 2024. A diminuição também se reflete no número de óbitos, que apresentou uma redução de 72%, com 1,7 mil mortes em 2025 frente a 6,3 mil no ano anterior. Apesar desses dados encorajadores, a pasta reforça a necessidade de manter as ações de combate ao Aedes aegypti em todo o território nacional. A vigilância e a prevenção continuam sendo pilares fundamentais para evitar novos surtos e consolidar os avanços obtidos.
A vacinação dos profissionais de saúde e os planos de expansão para a população em geral, aliados à constante vigilância epidemiológica e às ações de combate ao mosquito, posicionam o Brasil em um caminho promissor para o controle da dengue. Com a vacina nacional do Butantan e a perspectiva de aumento da produção, o país fortalece sua capacidade de proteger a saúde pública e consolidar os resultados positivos já observados no cenário epidemiológico.


