Com o objetivo de transformar o setor de viagens em um ambiente mais acolhedor e acessível para pessoas neurodivergentes, o Ministério do Turismo, em parceria estratégica com a Universidade do Estado do Amazonas (UEA) e o Projeto Mais Acesso, lançou uma pesquisa nacional. A iniciativa visa coletar dados essenciais para subsidiar a criação de um 'Guia de Boas Práticas', um documento fundamental para orientar prestadores de serviços e gestores na implementação de um atendimento turístico verdadeiramente inclusivo. O levantamento estará disponível para participação até o dia 30 de março, convidando a todos a contribuir com essa pauta de relevância social.
Lançamento e Metas da Iniciativa
Esta colaboração entre as entidades representa um passo significativo em direção à equidade no turismo. A pesquisa, que se estende por todo o território nacional, foca em entender as nuances da experiência de viagem para pessoas neurodivergentes e seus familiares. O diagnóstico detalhado das necessidades e desafios enfrentados permitirá a elaboração de diretrizes que não apenas melhorem a qualidade dos serviços, mas também impulsionem a acessibilidade em âmbito nacional, consolidando o Brasil como um destino mais aberto a todos.
Compreendendo a Jornada do Viajante Neurodivergente
O questionário proposto pela pesquisa aprofunda-se nos diversos estágios da experiência turística, abrangendo desde o transporte e hospedagem até as opções de alimentação, lazer, eventos e visitas a atrativos naturais e culturais. Ele foi cuidadosamente desenhado para identificar como fatores específicos, como ruídos excessivos, odores marcantes, interações físicas inesperadas, o cansaço que pode afetar cuidadores durante a jornada e a necessidade de manter rotinas de medicação, impactam a vivência desses turistas. Essa análise granular é crucial para desvendar as barreiras invisíveis que muitas vezes dificultam o acesso ao lazer e à cultura.
Identificação de Demandas e Boas Práticas
Além de mapear as demandas sensoriais, comunicacionais e comportamentais específicas de pessoas neurodivergentes, o levantamento também busca identificar as boas práticas de acolhimento que já são implementadas no setor. Exemplos incluem a capacitação de equipes, a criação de espaços mais tranquilos, a utilização de sinalização acessível e a adaptação de atividades para atender às necessidades variadas dos visitantes. Este enfoque proativo visa não apenas resolver problemas, mas também replicar soluções eficazes que já estão em vigor.
Subsidia Políticas Públicas e Qualificação Setorial
Os dados coletados através desta ampla pesquisa nacional serão um pilar para o aprimoramento de políticas públicas e, crucialmente, para a qualificação dos serviços turísticos em estabelecimentos como hotéis, pousadas e restaurantes. O ministro do Turismo, Gustavo Feliciano, ressaltou a importância dessa escuta ativa: “Ao ouvir quem vive a neurodivergência, avançamos na construção de políticas públicas que tornam o setor mais acessível, humano e inclusivo em todo o país”. Essa declaração sublinha o compromisso do Ministério em transformar insights em ações concretas que beneficiem toda a cadeia do turismo.
Público Abrangente para um Guia Completo
Para assegurar a abrangência e a efetividade do futuro Guia de Boas Práticas, a pesquisa não se limita apenas a pessoas neurodivergentes e seus familiares. Seu público-alvo se estende a profissionais do turismo – incluindo guias, agências e receptivos –, gestores públicos, empreendedores do setor, pesquisadores e estudantes da área. Essa participação diversificada garantirá que o guia reflita múltiplas perspectivas e experiências, tornando-o uma ferramenta prática e multifacetada para promover a acessibilidade e a inclusão em todos os níveis da indústria turística.
A iniciativa atual soma-se a outras ações do Ministério do Turismo para fomentar o turismo acessível no país. Um exemplo é o livro “Turismo com Acessibilidade: perfil do turista com deficiência e diretrizes para promoção da acessibilidade”, também desenvolvido em parceria com a UEA. Essa obra, que detalha o perfil do turista com deficiência e oferece diretrizes para prestadores de serviços, demonstra a continuidade e a profundidade do compromisso governamental em tornar o turismo brasileiro um modelo de inclusão e acolhimento para todos os cidadãos.


