O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), foi designado relator das ações que buscam questionar a constitucionalidade da recém-promulgada Lei n° 14.843/2024, popularmente conhecida como Lei da Dosimetria. Esta norma, que pode impactar diretamente as sentenças de condenados pelos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023, incluindo o ex-presidente Jair Bolsonaro, gerou imediata controvérsia e mobilizou diversas entidades a recorrerem à mais alta corte do país, pleiteando sua suspensão.
A Controvérsia da Lei da Dosimetria
A Lei da Dosimetria foi formalmente promulgada na última sexta-feira (8) pelo presidente do Congresso Nacional, senador Davi Alcolumbre (União-AP). Sua principal prerrogativa é a possibilidade de redução das penas aplicadas a réus que tiveram sua culpa estabelecida em processos criminais, notadamente aqueles envolvidos nos eventos que culminaram na depredação das sedes dos Três Poderes em janeiro do ano passado. A medida surge após o Congresso Nacional ter derrubado o veto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao projeto de lei na semana anterior, abrindo caminho para sua efetivação e para os subsequentes questionamentos jurídicos sobre sua validade e alcance.
Oposições e Argumentos pela Inconstitucionalidade
A publicação da Lei da Dosimetria provocou uma série de reações, culminando na apresentação de contestações formais junto ao STF por diferentes entidades. A Federação PSOL-Rede, por exemplo, enfatiza a “gravidade institucional” da norma, argumentando que a mitigação de sanções em crimes que visam subverter a ordem democrática transcende interesses individuais e ameaça a própria preservação das instituições republicanas. Para os partidos, tal cenário exige uma pronta e firme intervenção cautelar do Supremo.
Em coro, a Associação Brasileira de Imprensa (ABI) manifestou profunda preocupação, classificando a lei como uma “banalização” dos ataques ao regime democrático brasileiro. A entidade ressalta que indivíduos que, armados, atentam contra o Estado Democrático de Direito merecem sanções mais rigorosas pelo Direito Penal, dada a capacidade desses agentes de agir sem quaisquer amarras morais.
Adicionalmente, a federação partidária composta por PT, PCdoB e PV também anunciou a intenção de ingressar com uma ação similar. As legendas reforçam a tese de que não há qualquer embasamento constitucional para abrandar punições a delitos que atingem as próprias fundações do sistema democrático, por constituírem o núcleo mais grave de ofensas ao ordenamento jurídico.
O Rito Processual e os Próximos Passos no STF
Designado para relatar as ações, o ministro Alexandre de Moraes, que já havia atuado como relator nas ações penais em que os envolvidos nos atos de 8 de janeiro foram condenados, detém agora a responsabilidade de guiar o processo no STF. Em sua primeira medida após a designação, Moraes concedeu um prazo de cinco dias para que a Presidência da República e o Congresso Nacional apresentem suas manifestações sobre a controvérsia levantada.
Após essa etapa inicial de manifestações do Executivo e Legislativo, a Advocacia-Geral da União (AGU) e a Procuradoria-Geral da República (PGR) também serão chamadas a se pronunciar sobre a constitucionalidade da lei. Somente depois da coleta de todas as manifestações, o ministro proferirá sua decisão sobre a possível suspensão cautelar da lei, um trâmite que, até o momento, não possui um prazo definido para conclusão.
Implicações e o Futuro da Democracia
A análise da constitucionalidade da Lei da Dosimetria pelo Supremo Tribunal Federal, sob a relatoria do ministro Alexandre de Moraes, representa um momento crucial para a estabilidade jurídica e democrática do país. A decisão da Corte determinará não apenas o futuro das penas aplicadas aos condenados pelos atos de 8 de janeiro, mas também estabelecerá um importante precedente sobre a forma como o Brasil aborda crimes contra o Estado Democrático de Direito, reiterando a gravidade de tais ofensas e a firmeza de suas consequências legais.


