Ad imageAd image

Cientistas Lançam Painel Global para Orientar Transição Energética com Base Científica

Dinael Monteiro
Divulgação: Este site pode conter links de afiliados, o que significa que posso ganhar uma comissão se você clicar no link e efetuar uma compra. Recomendo apenas produtos ou serviços que uso pessoalmente e acredito que agregarão valor aos meus leitores. Agradecemos seu apoio!
© SPGET/Divulgação

Um consórcio multidisciplinar de especialistas em clima, economia e tecnologia anunciou a criação do Painel Científico para a Transição Energética Global (SPGET), uma iniciativa que promete redefinir a abordagem global rumo à descarbonização. O lançamento ocorreu neste sábado, 25 de abril, durante a Primeira Conferência Internacional sobre a Transição para Longe dos Combustíveis Fósseis, sediada em Santa Marta, Colômbia. O objetivo central do SPGET é oferecer suporte baseado em evidências a governos, traduzindo o conhecimento científico em recomendações práticas para políticas públicas e ações concretas.

A formalização do painel contou com a presença de figuras proeminentes da ciência internacional, incluindo os brasileiros Carlos Nobre, renomado pesquisador da Amazônia, e Gilberto Jannuzzi, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), além do sueco Johan Rockström, diretor do Instituto Potsdam para Pesquisa de Impacto Climático. A ministra do Meio Ambiente da Colômbia, Irene Vélez Torres, também participou, endossando a relevância da iniciativa no cenário atual.

Um Novo Rumo para a Descarbonização Global

O Painel Científico para a Transição Energética Global surge como uma resposta à complexidade inerente à mudança do atual modelo energético. Ele foi concebido para atuar como uma ponte integradora entre nações em diferentes estágios de desenvolvimento de suas transições, visando acelerar o processo para os países que ainda demonstram hesitação. Sua missão abrange as dimensões econômica, ambiental e de justiça social, garantindo que a jornada para a descarbonização seja abrangente e equitativa.

Ao longo dos próximos cinco anos, o SPGET focará na coleta e sintetização de evidências científicas cruciais. Essa base de conhecimento será fundamental para capacitar cidades, regiões, países e coalizões a implementar as transformações necessárias, promovendo um avanço significativo na superação da dependência dos combustíveis fósseis.

- Anúncio -
Ad image

Articulação e Impacto Estratégico do SPGET

Além de seu papel consultivo, o painel se propõe a fortalecer a conexão entre a comunidade acadêmica e as esferas governamentais, facilitando a construção de estratégias coordenadas para a redução das emissões de gases de efeito estufa. Isso inclui a elaboração de recomendações técnicas detalhadas, o monitoramento contínuo das políticas implementadas e a integração proativa com processos internacionais de grande escala, como a COP30, que será presidida pelo Brasil.

A ministra Irene Vélez Torres ressaltou que a criação do SPGET preenche uma lacuna histórica, uma vez que é o primeiro organismo dedicado especificamente à superação dos combustíveis fósseis, enquanto também aborda os desafios sociais e econômicos inerentes a essa profunda transformação. Essa abordagem holística é vista como essencial para garantir uma transição justa e eficaz, reconhecendo que as mudanças energéticas têm amplas repercussões na sociedade.

Resgatando a Primazia da Ciência na Agenda Climática

A iniciativa do SPGET também visa reposicionar a ciência como pilar central na tomada de decisões políticas sobre clima e meio ambiente. Claudio Angelo, coordenador do Observatório do Clima, enfatizou a importância de que a base científica oriente as ações governamentais, uma prática que, segundo ele, tem sido negligenciada em anos recentes. Angelo recordou que eventos climáticos cruciais do passado, como a Eco-92, eram diretamente influenciados por relatórios do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), um cenário que se alterou, chegando ao ponto de um relatório significativo do IPCC ser secundarizado em uma COP recente.

O novo painel, portanto, busca restaurar essa prioridade, garantindo que o conhecimento científico seja o fundamento inquestionável para as complexas escolhas que o mundo precisa fazer para mitigar as mudanças climáticas e promover a sustentabilidade ambiental.

A Conferência de Santa Marta: Catalisador da Mudança

O lançamento do SPGET ocorreu no contexto da Primeira Conferência Internacional sobre a Transição para Longe dos Combustíveis Fósseis, um evento de grande envergadura que reuniu representantes de 57 países, incluindo o Brasil, e cerca de 4.200 organizações. A conferência abrangeu uma diversidade de atores, incluindo governos, setor privado, povos indígenas, academia e sociedade civil, todos engajados em impulsionar medidas concretas para reduzir a dependência global de combustíveis fósseis.

O encontro focou em três eixos estratégicos: a transformação econômica necessária para o novo paradigma energético, as mudanças na oferta e demanda de energia e a intensificação da cooperação internacional. Nos primeiros dias, entre 24 e 27 de abril, foram consolidadas propostas que servirão de base para a Cúpula de Líderes, programada para os dias 28 e 29. Entre os resultados esperados estão a criação de mecanismos de cooperação e um relatório abrangente com diretrizes para acelerar a transição energética global.

Imperativo Global e a Urgência da Cooperação

Liderada pela Colômbia e pelos Países Baixos, a conferência de Santa Marta representa uma força coletiva significativa, com os países participantes respondendo por mais de 50% do PIB global. A ministra do Clima e do Crescimento Verde dos Países Baixos, Van Veldhoven, sublinhou que a atual volatilidade no mercado de combustíveis fósseis cria o momento ideal para iniciar a transição, não só para combater as mudanças climáticas, mas também para reforçar a independência energética e estimular o crescimento de uma economia verde.

A urgência da ação também foi ecoada pelo ativista socioambiental sul-africano Kumi Naidoo. Ele vê a conferência como uma oportunidade para concretizar medidas que as Conferências das Partes (COPs) das Nações Unidas sobre mudanças climáticas nem sempre conseguem, frequentemente resultando em acordos que ele descreve como superficiais e cheios de brechas. Naidoo expressou o desejo por um acordo 'fantástico, justo, ambicioso e vinculativo', algo que a comunidade ativista tem buscado em cúpulas climáticas desde 2009.

A convergência de cientistas, governos e sociedade civil em Santa Marta, culminando na formação do SPGET, sinaliza um compromisso renovado com uma transição energética guiada pela ciência, mais eficaz e equitativa, em um momento crucial para o futuro do planeta.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

Compartilhar este arquivo
Nenhum comentário

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *