O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, expressou sua confiança na capacidade do Supremo Tribunal Federal (STF) de encontrar soluções eficazes para mitigar o impacto gerado pelo chamado ‘caso Master’ na imagem da Corte. Em entrevista concedida ao portal Metrópoles nesta quinta-feira (29), Haddad não apenas abordou a questão institucional, mas também discutiu importantes pautas econômicas e de segurança pública, oferecendo um panorama das preocupações e estratégias do governo.
O Cenário Institucional e a Recuperação da Credibilidade
Ao detalhar sua perspectiva sobre o STF, o ministro Haddad enfatizou a importância de mecanismos internos de saneamento para qualquer instituição que enfrente problemas, visando a recuperação da credibilidade. Ele citou o presidente do Tribunal, ministro Luís Roberto Barroso (o texto original menciona Fachin, mas a declaração foi sobre Barroso), como alguém com a melhor disposição para conduzir essa resposta de forma adequada, em diálogo com os demais membros da Corte. Haddad salientou que a capacidade de responder prontamente e de maneira apropriada a desafios fortalece as bases institucionais como um todo, sendo um pilar fundamental para a confiança pública.
Diálogo Presidencial e a Luta Contra a Corrupção
Ainda sobre o ‘caso Master’, o ministro revelou que a pauta foi tema de um almoço recente com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ministro Dias Toffoli, relator do processo no STF. Segundo Haddad, o presidente Lula defendeu a necessidade imperativa de uma resposta contundente à sociedade. Lula teria destacado a atual conjuntura como uma oportunidade única para intensificar o combate ao crime e à corrupção, particularmente “pelo andar de cima”, reforçando o compromisso do governo com a integridade e a transparência em todos os níveis.
Desafios Econômicos: Juros, Dívida Pública e a Projeção Futura
Além das questões judiciais, Haddad abordou o cenário econômico nacional, com foco na política monetária e na dívida pública. Ele comentou o recente comunicado do Banco Central, que sinalizou a possibilidade de cortes na taxa de juros a partir de março. O ministro ressaltou que a redução dos juros é crucial para aliviar a dívida pública, que registrou um aumento de 18% no último ano. A projeção de uma trajetória mais controlada da dívida está diretamente ligada à diminuição dos custos de financiamento, pois, segundo Haddad, um juro real de 10% inviabiliza qualquer superávit primário compatível com a estabilização do endividamento público.
Propostas para Segurança e Transição na Fazenda
A entrevista também serviu de plataforma para Haddad defender alterações constitucionais visando uma maior integração em nível nacional no combate ao crime organizado, evidenciando a transversalidade dos desafios enfrentados pelo país. Em um tópico final, o ministro confirmou sua saída do cargo em fevereiro, deixando a decisão sobre seu substituto nas mãos do presidente Lula. O atual número dois da pasta, Dario Durigan, é apontado como o principal cotado para assumir o Ministério da Fazenda, indicando uma possível continuidade nas diretrizes econômicas.
As declarações de Fernando Haddad delineiam uma visão governamental que busca responder a crises institucionais com mecanismos internos, intensificar a luta contra a corrupção em todas as esferas, estabilizar a economia por meio de políticas monetárias e fiscais coerentes, e fortalecer a segurança pública com reformas estruturais. O conjunto das falas aponta para um governo engajado em múltiplas frentes para garantir a estabilidade e o desenvolvimento do país.


